Angola atrai investidores Americanos | 20-05-2014

A presidente do conselho de administração da Agência Nacional de Investimento Privado (ANIP), Maria Luísa Abrantes, lembrou sexta-feira em Luanda que os investidores estrangeiros devem estar legalizados para poderem trabalhar em Angola.

Maria Abrantes, que dissertava sobre o tema “O Investimento em Angola” num encontro organizado pela Câmara de Comércio Estados Unidos-Angola (USACC), sublinhou que Angola regista um crescimento demográfico e aumento de cidadãos estrangeiros que pretendem investir no país, mas alertou que “em nenhuma parte do mundo se pode trabalhar de forma ilegal”.
“As grandes empresas que solicitam o registo na ANIP devem estar legais para que possam trabalhar no país”, disse a presidente da agência de investimento. Maria Luísa Abrantes disse que já começa a haver mais exigência para os investidores antes de serem registados na ANIP e reafirmou que todas empresas que trabalham directamente na exploração, pesquisa e produção petrolífera e noutros ramos têm de estar legais, sob pena de verem negada a renovação dos vistos. “Isto porque muitos chegam com vistos de turistas e depois querem tornar-se investidores em Angola”, observou Maria Luísa Abrantes.
O presidente da Câmara de Comércio Estados Unidos-Angola, Pedro Godinho, enumerou áreas para o investimento privado em Angola fora do sistema petrolífero  e com potencialidades para criar muitos postos de trabalho. De acordo com Pedro Godinho, a USACC identificou áreas no sector agrícola, na cadeia de processamento da agro-indústria, na distribuição interna do comércio e nas garantias de acesso ao mercado internacional. Pedro Godinho disse que a agricultura está em primeiro lugar porque é o sector que mais postos de trabalho absorve e tem baixo custo de investimento.
A USACC trabalha actualmente com o Departamento (Ministério) de Agricultura dos EUA para avaliar as potencialidades agrícolas de Angola e atrair investidores americanos. A cooperação com o Departamento de Agricultura visa ajudar a aumentar a produção agrícola com qualidade e dentro dos padrões internacionais, o que permite exportar não só para os Estados Unidos, “mas para qualquer outra parte do mundo onde os mercados são muito exigentes”.
“A cooperação nessa fase inicial com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos serve para criar condições para que os produtos de Angola sejam aceites em qualquer parte do mundo”, disse o presidente executivo da Câmara de Comércio.  As apostas de Pedro Godinho estão centradas na concretização do investimento americano no sector da agricultura, com a finalidade de criar mais postos de trabalho, melhorar as condições no sector e tornar Angola auto-suficiente na aquisição de bens alimentares no mercado nacional. “Isso implica poupanças acima de centenas de milhões de dólares que anualmente o país despende na importação de bens alimentares. A agro-indústria vai jogar um papel importante no futuro de Angola”, disse o presidente executivo da Câmara de Comércio.
Pedro Godinho anunciou que os Estados Unidos têm disponíveis, na iniciativa designada “Power Africa”, do Presidente Barack Obama, 20 mil milhões dólares destinados ao sector energético e desse valor 13 mil milhões são provenientes do sector privado americano.
Na aplicação desse plano, referiu, já foram eleitos seis países africanos, mas a USACC vai envidar esforços para colocar Angola na lista dos beneficiários, durante o Fórum CERAWEEK, que se realiza em Março nos EUA.
A estratégia “Power Africa”  tem como objectivo o desenvolvimento dos países africanos a partir do sector eléctrico. Angola está a construir novas centrais hidroeléctricas para aumentar o seu potencial energético e poder desenvolver a sua indústria transformadora recorrendo a esse apoio.